Elogio da Loucura
Experimento Cênico: O Elogio da Loucura
Solo Teatral de Claudia Maues
Tribuna do Cretino – Vol.02-Nº03-2026 / ISSN 3086-1179
Keila Raquel Nunes Araujo[1]
Na sala 14 da ETDUFPA, no dia 06 de maio de 2026, durante a aula de "Conexões-Teatro e Filosofia", tendo na plateia alunos do Curso de Produção Cênica da UFPA, sob a direção de Élcio Lima e apoio de Thiago Ramos, a artista Claudia Maués apresentou a cena Elogio da Loucura, baseada no livro Elogio da Loucura, de Erasmo de Rotterdam.
Na cena, a artista personifica a deusa Loucura, filha de Pluto, deus da força e do poder, e de uma ninfa linda e feliz. A atriz se encontrava de costas para o público, com sua imagem refletida em um telão. O cenário era simples, com uma iluminação que destacava a presença da atriz. Ela vestia roupas extravagantes e coloridas e apresentava pinturas de olhos nas mãos e na testa, além de adornos na cabeça. A apresentação começou com uma dança ao som de uma música que falava da deusa da Loucura. Em seguida, a artista voltou-se para o público ali presente, continuou dançando e iniciou um monólogo.
A deusa Loucura começa perguntando para a plateia se exerce alguma influência em cada uma das pessoas. Em seguida, vangloria-se da importância que tem para as mulheres ao falar que as mesmas não conseguiriam enfrentar as lutas diárias para sobreviver, se não fosse com a ajuda dela.
Ao falar da primeira infância, a deusa Loucura lembra que as crianças brincam, são criativas e inventam coisas, como, por exemplo, ter um amigo invisível. Quando cita a segunda infância - a velhice - afirma que os idosos passam por transformações, saem da existência limitada, voltam a ser crianças e deixam de lado os padrões que determinavam o que tinham que fazer ou o que tinham que falar.
Por fim, a deusa Loucura declara que não mais vai tolerar que seja responsabilizada pelos males provocados pelo homem, como roubos, mentiras e corrupção, pois não é ela que mata mulheres, que engana pessoas, que assedia crianças. Pelo contrário: ela é a deusa da felicidade e da brincadeira, que estimula artistas a serem criativos e que possam pensar em soluções para transformar a sociedade para melhor.
A cena me levou a refletir sobre situações da minha própria vida. Lembrei-me de uma de minhas sobrinhas que, quando criança, tinha uma amiga invisível com quem conversava por horas. Recordei também de minha mãe, que se aproxima dos 90 anos de idade e, de certa forma, voltou a ser criança, imaginando situações e criando histórias que não existem. Em ambas as experiências, percebo a existência de muita criatividade e muita alegria, exatamente aquilo que a deusa Loucura afirma oferecer aos seres humanos.
Além disso, a apresentação também me fez pensar nos inúmeros casos de agressão física e assassinatos de mulheres que acontecem constantemente no Brasil. Muitas vezes, os agressores, ao invés de assumirem que cometeram erros, preferem colocar a culpa de seus atos criminosos na loucura. Nesse sentido, a cena apresentada por Claudia Maues separa a loucura criativa, ligada à imaginação e à liberdade, da violência praticada conscientemente pelos indivíduos.
Assim, a apresentação da cena Elogio da Loucura transforma a loucura em símbolo de criatividade, sensibilidade e felicidade, ao mesmo tempo em que denuncia a hipocrisia social de utilizar esse termo para justificar violências e crueldades praticadas pelos seres humanos. Trata-se de uma cena provocadora, sensível e atual, capaz de despertar reflexões profundas sobre comportamento, sociedade e humanidade.
Maio de 2026
[1] Graduanda do Curso de Produção Cênica – UFPA; Atividade desenvolvida na disciplina "Conexões Teatro e Filosofia" ministrada pelo professor Edson Fernando;
Ficha Técnica
"Elogio da Loucura"
Solo Teatral de Claudia Maues
Direção:
- Elcio Lima
Figurino:
- Claudia Maués
- Elcio Lima
Apoio:
- Thiago Ramos
