Os Heróis da Ópera Paraense

08/07/2026

Montagem: "Os Heróis"

XXV Festival de Ópera do Theatro da Paz

Tribuna do Cretino – Vol.02-Nº03-2026 / ISSN 3086-1179

Malu Guedelha[1]

No domingo do dia 24 de maio, fui assistir a ópera "Os Heróis" a convite do meu pai. O espetáculo aconteceu dentro da programação do já tradicional Festival de Ópera no palco do suntuoso Theatro da Paz.

Primeiramente, para contextualizar um pouco sobre a obra em questão, descobri pelo meu pai, se tratar de uma ópera composta por um autor paraense, o Meneleu Campos (1872-1927) e, através do programa disponibilizado via QR CODE no teatro, li algumas curiosidades sobre a obra como o fato de que a partitura orquestral completa foi dada como perdida por muitos e muitos anos e historiadores indicavam a redução para canto e piano como a única testemunha sobrevivente da composição do magnum opus de Campos.

Foi graças a esforços da gestão da Secretaria de Cultura do Estado do Pará que foi iniciada uma pesquisa com ponte no Rio de Janeiro para resgatar o manuscrito e com a ajuda da Biblioteca Nacional, foi encontrada a partitura.

Com 120 anos de espera, após processos de revisão e editoração, agora no ano de 2026, finalmente a ópera tem sua estreia dentro da programação do 25º Festival de Ópera do Theatro da Paz.

Me senti mais animada ao saber que era uma arte feita por um paraense e com elenco e produção majoritariamente paraenses também! Me senti honrada ao reconhecer que assisti a estreia deste espetáculo.

Bom, a ópera gira em torno dos conflitos políticos e da luta dos italianos pela independência do país em 1848. É ambientada em Milão, durante a dominação austríaca da Lombardia e retrata a tensão entre a lealdade política e os ideais revolucionários dentro da família Dedomini. O Conde permanece fiel ao governo invasor, enquanto os seus filhos aderem à luta pela libertação italiana e é aí, que brota um romance proibido entre a filha deste conde e um oficial austríaco.

Os cenários foram simples, foram utilizadas panadas cenográficas, o que facilitava a troca dos cenários, de forma dinâmica e prática, mas que deixava a desejar esteticamente falando. Já os figurinos estavam muito bem confeccionados e alinhados, assim como toda a caracterização dos personagens e do coro de forma geral.

O que me chamou muita atenção foi a entrega musical propriamente dita: as melodias, o arranjo dessa ópera é lindíssimo e a performance vocal de todos os personagens do enredo é de tirar o fôlego. É como se bastasse apenas a entrega vocal e musical e isso fizesse sentir menos a falta de um cenário mais elaborado e complexo.

Cresci acompanhando algumas óperas deste festival, e, apesar de não ser nenhuma

especialista no assunto, muitas foram marcantes pelo todo, mas essa, me pegou pela sutileza, pelo cerne da coisa toda: a matéria da música. Acho que o bairrismo também contribui para esse meu sentimento, bate um orgulho presenciar um trabalho desse produzido por um paraense e erguido majoritariamente por paraenses. Mas, como nem tudo são flores, gostaria de ressaltar a importância de uma contextualização da obra mais ampla nos programas distribuídos. Apesar de contarem causos sobre a partitura em si, não encontrei nada de sinopse nele, precisando pesquisar na internet para me familiarizar melhor. E isso é importante justamente para que possamos melhor absorver o que está sendo apresentado.

Apesar disso, no geral, foi o tipo de coisa que inspira. Por não ser algo tão comum encontrar por aí óperas da nossa região, ao se deparar com uma, faz parecer que tudo é possível.

No mais, após quatro atos, que não me foram nem um pouco cansativos, e de me sentir extremamente envolvida com a trama, posso afirmar que vale toda a pena do mundo assistir "Os Heróis" de Meneleu Campos e vibrar com heroísmos da nossa terra.

Julho de 2026

[1] Graduanda do Curso de Produção Cênica – UFPA; Atividade desenvolvida na disciplina "Conexões Teatro e Filosofia" ministrada pelo professor Edson Fernando;

Ficha Técnica:

Os Heróis

Elenco:

ALESSANDRA: Thainá Souza

MAX VON DANKA: Hélenes Lopes

D. FOLCO: Daniel Germano

ATTENDOLO: Andrew Lima

DON GALLEAZZO: Idaias Souto

RIARIO: Sidney Pio

NASCIMBENE: Marcio André Carvalho

AGNESE: Carolina Faria

FIGLIA DEL PRIGIONIERO: Lys Nardoto

SPAZZACAMMINO: Gabriel Frota

3 SERVI: Gabriel Frota, Nik Dumas e Alexandro Brito

CAPITANO: Nik Dumas

VECCHIO UFFICIALE: Raimundo Mira

AGATA: Tassiane Gazé

Maestro:

Miguel Campos Neto

Maestra Assistente:

Laura Mathias Gentile

Maestro interno:

Agostinho Jr.

Direção de cena:

Flavio Leite

Cenografia:

Carlos Dalarmelino Jr.

Iluminação:

Rubens Almeida

Figurinos:

Fernando Leite

Visagismo:

Omar Jr.

Regente do coro:

Vanildo Monteiro

Legenda:

Gilda Maia

Diretor de palco:

Claudio Bastos

Pianista correpetidora:

Ana Maria Adade

Contrarregra:

Laura da Conceição

Assistente do festival de ópera:

Erika Keuffer

Figurantes:

Carol Sarquis

Claudio Bastos

Jean Luglimi

Jonas Bastos

Mike Nascimento

Crianças:

Artur Bastos

Ester Nardoto

João Franco

Ruth Nardoto

Agradecimento:

À Cooperativa Social de Trabalho Arte Feminina Empreendedora (COOSTAFE-SEAP/PA) pelo apoio nos serviços de costura.

Regente Titular:

Miguel Campos Neto

Regente Assistente:

Laura Mathias Gentile

Primeiros Violinos:

Fabio Santos, Luiza Aires, Roberta França, Luis Carlos Gomes, Hélio Saveney, Ludmila Higino, Hans Magno, Vitória Bella, Gustavo Sucupira, Giovan Lucas

Segundos Violinos:

Allan Peter, Arielson Soares, Joyce Batista, Pedro Teixeira

Feliphe Bruno, Luidi Tavares, Felipe Viana, Zion Silva, Maitê Colares

Violas:

Haroldo Fonseca, Gabriel Moreira, Thiago Rodrigues

Rosildo Monteiro, Jennifer Oliveira, Alexsandro Castro e Gabriel Silva

Violoncelos:

Gustavo Saraiva, Tiago Imbiriba, Ingridy Santos

Lucas Amaro, Nelzimar Goes, Maynara Malcher, Laís Tavares

Alípio Vilena

Contrabaixos:

Jhonathan Torquato, Joel Saraiva, Paulo André Nascimento

Deyvid Ruan, Alessandra Cardoso, Erison Cardoso*

Flauta:

Clara Nascimento, Fabrício Aleixo, Piccolo e Victor Barral

Oboé:

Jods Saraiva, Pedro Paulo Magno

Corne Inglês:

Ana Maria Adade

Clarinete:

Afonso Bittencourt, Henrlane Souza, João Marcos Palheta e Joabe Oliveira

Clarone:

Matheus Lacerda

Fagote:

Samuel Rosa, Sérgio Galisa

Contrafagote

Jadiel Silva

Trompa:

Fabrício Santos e Leonete Navegantes

Trompete:

Flávio Teixeira, Ricardo Sigari, Pedro Lins, Jaderson Soares e Lucas Dias

Trombone:

Benedito Jr., Kelson Pinheiro, Manassés Malcher

Tuba:

Wendel Brandão

Tímpanos:

Fabrício Aleixo, Wendel Brandão

Percussão:

Ruth Saldanha e Gustavo Gomes

Convidados

Equipe Técnica

Produtor:

Moisés Silvestre

Assistente:

Tassiane Gazé

Arquivista:

Nayara Araújo

Inspetor:

Márcio Santos

Montadores:

Helden Sávio, André Renato, Wendell Palheta, Yves Silva

CORO LÍRICO DA ÓPERA OS HERÓIS

Regente:

Vanildo monteiro

Regente Assistente:

Cristina Viana

Primeiros Sopranos

Ana Natividade, Brenda Ingrid, Ione Carvalho, Josi Martins

Juliana Brabo, Manu Russo, Regiane Freire e Tassiane Gazé

Segundos Sopranos:

Aline Matos, Andréa Borges, Cristina Viana, Elizabeth Moura

Lene Miranda, Lila Moraes, Lusiana Sena, Rejane Siqueira, Symone Serruya

Tenores:

Alexsandro Brito, André Vinícius Borges, Claudemir Santos

Daniell Dias, Gabriel Frota, Josué Costa, Levi Lobo

Marcos Carvalho, Marcos Vigério, Raifran Borges

Vinícius Silva, Wallace Sousa, Yuri Dimitri

Baixos:

Ailson Ventura, Aquiles Sayd, Davi Marques, Eliabe Faro, Ítalo Dutra

Marcos Uchoa, Nik Dumas, Raimundo Mira, Ramatis Bayma

QUARTETO PAZ

EQUIPE TÉCNICA

Corpo Administrativo do Theatro da Paz:

Celina Lima, Guiomar Moreira, Magda Abdul-Khalek

Produção dos Corpos Artísticos

Moisés Silvestre — Produtor da OSTP

Tassiane Gazé — Assistente da OSTP

Anderson Sandim — Produtor da AJB

Victor Vale — Assistente da AJB

Academia Paraense de Música:

Crislene Moraes, Gloria Lopes, Ingrid Bittencourt, Nathanaely Costa

Odir Rodrigues

Designer Gráfico:

Mario Kenard

Fotógrafo:

Valério Silveira

Equipe de Figurinos:

Ana Paula Araújo — Assistente de Figurinos

Joana Glória — Chefe de Costura

Marllon Rodrigues — Aderecista

Fabio Purificação — Costura e Adereços

Equipe de Iluminação do Theatro da Paz:

Rubens Almeida e Jorge Pantaleão

Sonorização do Theatro da Paz:

Márcio Reis

Equipe de Cenotécnica do Theatro da Paz:

Ribamar Diniz, Nonato Rodrigues, Rafael Duarte

Bilheteria do Theatro da Paz

Daniele Oliveira (Gerente), Camila Cardoso, Mara Araújo

Rita Lima, Camareira, Paula Magalhães

Portaria:

Antônio Reimão, Daniel Santos, Eduardo Santos, John Christian Brito

Copa:

Helisane Lima e Sídia Silva

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