E se o colapso já estiver acontecendo?

15/10/2026

Montagem de Teatro de Caixa: Colapso

Montagem: Coletivo de Animadores de Caixa

Tribuna do Cretino - Vol. 03 - N° 04 - 2027 / ISSN 3086-1179

Mariluza Nogueira Barata[1]

Um viajante do tempo chega do futuro e traz um alerta.

Apresenta imagens de uma Belém devastada ... O Ver-o- Peso, a Estação das Docas, o Mercado de São Braz, lugares estes que reconhecemos como espaços de memórias e de pertencimento. Aparecem transformados em ruínas.

A cidade que conhecemos já não existe.

Diante dessas imagens, o viajante pergunta se acreditamos que aquilo realmente poderá acontecer. Confesso que demorei a responder, pois a palavra colapso havia atravessado a cena e permanecido em mim.

Aos poucos, percebi que a cena não falava apenas sobre prédios destruídos e sobre um planeta ameaçado. Talvez esteja questionando o presente.

Nos chama atenção para a maneira como estamos vivendo, convivendo e construindo o mundo. O "colapso", talvez, não esteja apenas no futuro apresentado pelo viajante. Talvez esteja acontecendo, silenciosamente, no presente.

O "colapso" parece revelar uma sociedade que, embora cercada de imagens, informações e telas, parece já não conseguir enxergar.

Vemos muito, mas será que realmente olhamos? Estamos conectados o tempo inteiro, mas será que ainda conseguimos estabelecer conexões reais consigo e com outrem?

A cena parece nos colocar diante de uma contradição de que quanto mais informações recebemos, mais estímulos consumimos, e maior parece ser a distância entre nós.

Vivemos rodeados de imagens, telas, notícias, fotografias, vemos o mundo o tempo inteiro, o "colapso" me leva a perguntar: será que sabemos enxergar?

Talvez essa seja uma das imagens mais potentes da cena: uma sociedade que vê tudo e, paradoxalmente, já não consegue perceber quase nada.

Dentro da caixa, entretanto, o passado reaparece através da ludicidade, através de um cachorro, o Snoopy, que traz uma delicadeza em meio ao desastre e nos aproxima da infância.

Por alguns instantes somos lembrados que há esperança. Somos lembrados de que o lúdico diante do colapso talvez seja uma maneira de lembrar que imaginar também é uma forma de resistência.

Talvez não seja preciso esperar 3718 dias. Talvez o viajante tenha vindo de tão longe apenas para nos dizer que ainda há e é tempo de transformar o presente.

Outubro de 2026

[1] Graduanda do Curso de Licenciatura em Teatro; atividade realizada na disciplina Filosofia do Teatro ministrada pelo professor Edson Fernando;

Ficha Técnica:

Colapso

Encenação, Atuação e Suporte:

Edson Fernando

Traquitanas da Caixa:

Anibal Pacha e Edson Fernando

Edição da Trilha Sonora e Material Gráfico:

Stúdio Solar dos Silva

Apoio Cultural:

Ateliê 705- Casa de Bonecaria

@oxentebiscuit

Patrocínio:

O bolso dos idealizadores e mais ninguém!!!

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