E se o colapso já estiver acontecendo?
Montagem de Teatro de Caixa: Colapso
Montagem: Coletivo de Animadores de Caixa
Tribuna do Cretino - Vol. 03 - N° 04 - 2027 / ISSN 3086-1179
Mariluza Nogueira Barata[1]
Um viajante do tempo chega do futuro e traz um alerta.
Apresenta imagens de uma Belém devastada ... O Ver-o- Peso, a Estação das Docas, o Mercado de São Braz, lugares estes que reconhecemos como espaços de memórias e de pertencimento. Aparecem transformados em ruínas.
A cidade que conhecemos já não existe.
Diante dessas imagens, o viajante pergunta se acreditamos que aquilo realmente poderá acontecer. Confesso que demorei a responder, pois a palavra colapso havia atravessado a cena e permanecido em mim.
Aos poucos, percebi que a cena não falava apenas sobre prédios destruídos e sobre um planeta ameaçado. Talvez esteja questionando o presente.
Nos chama atenção para a maneira como estamos vivendo, convivendo e construindo o mundo. O "colapso", talvez, não esteja apenas no futuro apresentado pelo viajante. Talvez esteja acontecendo, silenciosamente, no presente.
O "colapso" parece revelar uma sociedade que, embora cercada de imagens, informações e telas, parece já não conseguir enxergar.
Vemos muito, mas será que realmente olhamos? Estamos conectados o tempo inteiro, mas será que ainda conseguimos estabelecer conexões reais consigo e com outrem?
A cena parece nos colocar diante de uma contradição de que quanto mais informações recebemos, mais estímulos consumimos, e maior parece ser a distância entre nós.
Vivemos rodeados de imagens, telas, notícias, fotografias, vemos o mundo o tempo inteiro, o "colapso" me leva a perguntar: será que sabemos enxergar?
Talvez essa seja uma das imagens mais potentes da cena: uma sociedade que vê tudo e, paradoxalmente, já não consegue perceber quase nada.
Dentro da caixa, entretanto, o passado reaparece através da ludicidade, através de um cachorro, o Snoopy, que traz uma delicadeza em meio ao desastre e nos aproxima da infância.
Por alguns instantes somos lembrados que há esperança. Somos lembrados de que o lúdico diante do colapso talvez seja uma maneira de lembrar que imaginar também é uma forma de resistência.
Talvez não seja preciso esperar 3718 dias. Talvez o viajante tenha vindo de tão longe apenas para nos dizer que ainda há e é tempo de transformar o presente.
Outubro de 2026
[1] Graduanda do Curso de Licenciatura em Teatro; atividade realizada na disciplina Filosofia do Teatro ministrada pelo professor Edson Fernando;
Ficha Técnica:
Colapso
Encenação, Atuação e Suporte:
Edson Fernando
Traquitanas da Caixa:
Anibal Pacha e Edson Fernando
Edição da Trilha Sonora e Material Gráfico:
Stúdio Solar dos Silva
Apoio Cultural:
Ateliê 705- Casa de Bonecaria
@oxentebiscuit
Patrocínio:
O bolso dos idealizadores e mais ninguém!!!
