Vol. 02 - Nº 03 - 2026

Apresentação

A terceira edição da Revista Tribuna do Cretino conseguiu capturar, no seu radar uma parte da produção teatral que constitui a cena amazônica localizada em Belém do Pará. Trata-se de um retrato capturado no recorte temporal que vai do dia 01 de abril até 30 de setembro. Nesse período foram publicadas quarenta e uma críticas teatrais que me permito classificar e subdividir em quatro macro categorias: Grupos de Teatro (nove montagens), Solos Teatrais (três montagens), Escolas de Formação (dez montagens) e Opera (duas montagens). Isso dá um total de vinte e quatro montagens artísticas que foram "fotografadas" pelo olhar de vinte críticos.

Na categoria de Grupos Teatrais percebo uma Cena Amazônica que visita a dramaturgia de grandes autores nacionais e internacionais, mas também o exercício de um dramaturgismo em diálogo aberto com questões locais e também uma dramaturgia de um autor local – Saulo Sisnando – com uma comédia de costumes. Também é possível destacar o exercício da linguagem da palhaçaria, do teatro de rua e do teatro de animação. Grupos de Teatro de longa e reconhecida trajetória aparecem nessa lista: Palhaços Trovadores, Grupo Experiência, Grupo Cena Aberta, Grupo Gruta, Núcleo de Artivismo Os Mequetrefes, Grupo Cuíra do Pará, Grupo Teatro de Apartamento, Coletivo Filhos de Iracema, Coletivo Animadores de Caixa.

Na categoria dos Solos Teatrais percebo a predominância de um exercício de autoralidade dramatúrgica que parte de uma obra ou autor que serve de indução para a criação. As solistas foram: Claudia Maues, Larissa Latif e Yasmin Ramos.

Quato às Escolas de Formação aparecem a Escola de Teatro e Dança da UFPA, UNIPOP – Curso de Iniciação Teatral, Espaço das Artes de Belém e Cia Nós Outros, este ultimo um grupo da cidade que tem orfertado regularmente curso de iniciação teatral. Nas montagens deenvolvidas por eses espaços de formação percebo a predominância de um exercício de autoralidade dramatúrgica. Mas, neste caso, percebo uma autoralidade dramatúrgica preocupada em colocar no palco demandas sociais como representatividade, acessibilidade, racismo, violência sexual. A linguagem da palhaçaria também aparece no horizonte novamente, assim como a dramaturgia de um autor nacional e as ideias que inspiram a prática de um Teatro Ritual.

E por fim, na ultima categoria, ainda aparecem duas Óperas e, nelas, percebo o esforço para adaptar o conteúdo das obras originais para a cultura paraense.

Encerro esse retrato produzido pela teceira edição da Revista Tribuna do Cretino apresentando os números coletados a partir das fichas técnicas de cada montagem: as vinte e quatro montagens artísticas envolvem 161 atuantes (atrizes e atores), 91 músicos, 39 cantores e 279 profissionais envolvidos nas equipes técnicas. Somando todos os envolvidos na produção e apresentação das vinte e quatro montagem temos nada menos do que 570 pessoas que construíram um recorte da cena amazônica de Belém do Pará de 01 de abril a 24 de setembro.

Acredito que isso é uma pequena demonstração de força e desejo de continuar produzindo Teatro em Belém do Pará, não obstante a política cultural desenvolvida há decadas pelos governos do estado do Pará e prefeitura de Belém. Também demonstra, no meu entender, que os artistas que produzem Teatro por estas paragens não tem noção do quanto poderiam avançar nas consquistas para a classe teatral se, ao menos por alguns momentos, se organizassem e enfrenssassem as duras batalhas sociais como classe.

Evoé

Edson Fernando