Genet – O palhaço de Deus: quarenta anos depois

28/10/2026
Fig. 01 - Cartaz de divulgação do espetáculo. Foto: Aníbal Pacha.
Fig. 01 - Cartaz de divulgação do espetáculo. Foto: Aníbal Pacha.

Tribuna do Cretino - Vol. 03 - N° 04 - 2027 / ISSN 3086-1179

Kauan Amora[1]

No mezanino do Teatro Waldemar Henrique, o Waldeco[2], há um homem vestido de branco, elevado sobre uma multidão de outros homens. Eles formam um círculo e todos estão nus. No centro do círculo, o personagem Genet ainda está vestido e ouve atentamente. Este homem no alto do mezanino, que é o próprio Jesus Cristo na sua segunda vinda à Terra, discursa sozinho para seus companheiros, amontoados em círculo, sobre o desejo do "pederasta" e o lugar do abjeto na sociedade. Eles ouvem em silêncio e atentamente como se estivessem em uma espécie de transe religioso que, combinado à sonoridade sacra dos cantos gregorianos, dão à encenação um tom cerimonial e ritualístico.

Esta experimentação das potencialidades arquitetônicas do Teatro Waldemar Henrique, que alia a verticalidade com a tridimensionalidade do palco, faz aparecer um triângulo cujos vértices são Jesus Cristo, Genet e os demais homens que constituem uma espécie de fraternidade reunida diante dele. Esta triangulação lembra uma cadeia alimentar formada exclusivamente por homens e marcada por relações hierárquicas. Sendo assim, Jesus Cristo, vestido de branco, não retornou para julgar ou castigar, mas para professar sobre o lugar do homossexual.

Essa voz carnal e perturbadora que seduz os jovens. Essa voz resfolegante que murmura um grande prazer. Essa voz debochada que narra uma noite de amor. É preciso que o pederasta permaneça objeto, flor, inseto, habitante da antiga Sodoma ou da longínqua Urano. Tudo o que quiser, menos meu próximo, menos eu mesmo. Pois é preciso escolher. Se todo homem é o homem, é preciso que esse desviado ou seja uma pedra ou seja eu (Genet – O palhaço de Deus, 1987, transcrição minha) [3]

Ao contrário do que as religiões cristãs costumam propagar, este Jesus Cristo fala em tom amoroso e amigável com os homossexuais. O resultado disso é uma espécie de canonização da figura marginal de Genet. Em sinal de devoção religiosa, ele tira a roupa e é importante que assim o faça. As roupas, símbolos da civilidade, do pudor, do respeito às regras do bom convívio em sociedade que distinguem classe, gênero e hierarquias sociais, desaparecem e revelam seu corpo nu, suado e cansado que é integrado à irmandade masculina. Por sua vez, a nudez revela não apenas pelos pubianos e órgãos sexuais, mas também uma busca incessante pelo sagrado que, aqui, é inscrita no corpo marginal e marcada pelos desejos da carne e pela experiência da abjeção.

Estes homens se alinham, aproximam-se, afastam-se, aglomeram-se e parecem perder sua individualidade para formar um coro ditirâmbico, uma massa humana composta por braços, troncos, bundas, pelos pubianos, sexos e pernas que se movimentam em êxtase, entre beijos, toques, abraços e lambidas. Sob uma iluminação branca e fraca e mergulhados numa escuridão profunda, esse organismo coletivo parece ter saído de uma das "pinturas negras", de Goya.

Irreconhecível, fica difícil distinguir onde os corpos começam e terminam até que alguns deles se separam do coro, como fez Téspis, e vai em direção a uma cesta onde, antes dessa orgia dionisíaca, tinham colocado diversas frutas. Eles as esfregam no corpo suado e cansado em um ritual de purificação e comunhão. Eles são seguidos pelos outros e a massa se desfaz em seres individuais que, carregando suas frutas suadas, babadas, lambidas, as oferecem como um banquete, em solidariedade, para a plateia que, assustada, rejeita com nojo. Fim do espetáculo. Os homens agradecem e batem palmas.

***

Quando o dia 23 de outubro de 2027 chegar, terão se passado exatos quarenta anos desde que Genet – O Palhaço de Deus chegou aos palcos da capital paraense, no Teatro Waldemar Henrique, provocando controvérsias e acaloradas discussões públicas sobre o papel e os limites da arte na sociedade e a violência e discriminação sofridas por pessoas LGBTQPIAN+ no Brasil.

Inspirado em cinco romances do poeta francês e criminoso contumaz Jean Genet, que havia morrido em 1986, o espetáculo foi produzido pelo grupo Cena Aberta, um dos grupos mais importantes da cena teatral paraense, e dirigido pelo visionário Luís Otávio Barata.

De um lado, um talentoso escritor que, quando recém-nascido, foi entregue para a adoção sem nunca ter conhecido sua mãe e foi criado por uma família de camponeses. Apesar do carinho materno e do lar protetor e seguro, desde cedo Genet já era hábil em roubar pequenos objetos de colegas de classe e da sua família. Na mesma medida, era dedicado ao seu mundo próprio que criara com suas leituras incansáveis. Não demorou muito até que Genet fosse para um reformatório e ao longo de sua vida fosse preso mais de uma dezena de vezes até ser descoberto, na vida adulta, por intelectuais franceses, como Jean Cocteau e Jean Paul Sartre e finalmente ganhasse todo o prestígio e reconhecimento por suas obras que se dividem entre poesias, peças teatrais e romances autobiográficos.

Do outro lado, um jovem encenador paraense, homossexual assumido, filho de um médico oftalmologista e de uma dona de casa. Luís Otávio Barata foi uma importante liderança na mobilização da classe teatral em prol da conquista de espaços artísticos na cidade e de políticas culturais voltadas para o fomento ao teatro local. Na década de 1970, sua articulação política resultou em importantes conquistas, como a criação da Federação Estadual dos Atores, Autores e Técnicos de Teatro (FESAT), em 1975; a conquista do Teatro Experimental Waldemar Henrique, inaugurado em 1979, resultado de uma longa e árdua luta encabeçada pelo grupo Cena Aberta, do qual foi um dos fundadores ao lado de Margaret Refkalefsky, Walter Bandeira e Zélia Amador de Deus; e, por fim, a reforma na linguagem cênica do teatro, que marcou por sua ousada experimentação dos elementos da linguagem e pela abordagem de temas controversos, como religião, sexualidade e as origens ritualísticas e místicas do próprio teatro.

Na ocasião da sua estreia, Genet – o palhaço de Deus teve uma recepção tão polêmica quanto divisiva. Alguns o acusavam de corajoso por não limitar seu discurso sobre a homossexualidade a uma "caixa de preservativos", enquanto outros o acusavam de desrespeitoso e pornográfico por sua linguagem considerada obscena e pelas cenas de nudez e sexo explícito que dialogavam com personagens e símbolos das religiosidades cristã e pagã.

Podemos perceber, através da análise dos principais jornais impressos da cidade, que o espetáculo ficou em cartaz por mais de um ano. Sua primeira temporada aconteceu no Teatro Waldemar Henrique entre 23 e 31 de outubro de 1987, com apresentações lotadas (DEBATE, 1987, p. 27). Logo mais voltou para uma segunda temporada de sucesso entre 17 e 22 de novembro do mesmo ano (GENET, 1987).

Entre 25 e 27 de março de 1988, concorrendo com outros três espetáculos, o grupo Cena Aberta apresentou Genet – O palhaço de Deus para um júri especializado na IX Mostra de Teatro Amador, organizado pela Federação Estadual dos Atores, Autores e Técnicos de Teatro (FESAT), e saiu como o único representante do Pará no Festival Nacional de Teatro Amador, que ocorreu em Brasília, naquele mesmo ano. A sua polêmica apresentação aconteceu no dia 12 de julho, na Sala Martins Penna, que dividiu público e crítica.

Na volta para a capital paraense, o grupo Cena Aberta fez sua terceira temporada do espetáculo. Dessa vez, no Teatro Margarida Schivasappa entre 19 e 21 de agosto de 1988 (O PALHAÇO, 1988). Mais tarde, fez mais uma temporada no Waldemar Henrique entre 24 e 27 de novembro do mesmo ano, sempre às 21hs, conforme os jornais noticiavam, agora sob direção de Aníbal Pacha e com ingressos a Cz$ 700,00 (BASEADA, 1988, p. 6).

Segundo o jornal O Liberal, em publicação do dia 31 de outubro de 1987, o elenco era composto por Sávio Chaul, Walter Machado, Paulo Ricardo Nascimento, Cláudia Mello, Help Luna, Marton Maués, Márcio Flexa, Eusébio Pessoa, Francisco Vasconcelos, Yara Brasil, Cézar Machado, Marcelo Lima, Ernani Chaves, Ronaldo Fayal, Henrique da Paz e outros artistas (DEBATE, 1987, p. 27).

Durante sua primeira temporada, o espetáculo conseguiu lotar todas as suas sessões. Nos dias 30 e 31 de outubro, foram feitas sessões duplas, às 22hs e à meia-noite. O espetáculo contou também com rodas de conversas após as apresentações que envolviam os atores e o público. Na ocasião, além de discutir a encenação e a recepção da obra de Jean Genet, os participantes também discutiram sobre a violência e a discriminação que os membros da comunidade LGBTQPIAN+ sofriam na época (Ibid.).

Transportando a poesia sulfurosa do Genet romancista para os palcos teatrais da capital paraense, Barata decidiu trilhar um caminho diferente daquele tomado por Ruth Escobar e Vitor Garcia que, em 1969, no auge da ditadura militar no Brasil, encenaram O Balcão, uma de suas icônicas peças teatrais. Barata, por outro lado, para criar o espetáculo, serviu-se dos cinco romances do autor francês: Pompas Fúnebres, Nossa Senhora das Flores, Querelle, O milagre da rosa e Diário de um ladrão.

Em cena, habitavam os mesmos personagens do submundo imoral de Jean Genet e Luís Otávio Barata. Tinham bichas, travestis, michês, bofes, marinheiros, assassinos e muitas outras vidas infames: "no meio desse palco, onde o amor entre os homens era o tema central, estão presentes ainda a marginalidade, a delinquência, além da busca da santidade através do pecado" (A SEXUALIDADE, 1988).

No palco do Waldeco, estão pendurados enormes pedaços de tecidos rasgados e queimados, todos estrategicamente espalhados sobre as cadeiras do público, organizado em formato de um enorme corredor, permitindo a exploração total do salão e do mezanino do teatro. Pelas paredes e colunas, estão penduradas bonecas de plástico desfiguradas e desmembradas.

Essa ocupação ousada do espaço cênico não passou despercebida pela imprensa, que destacava a inventividade do Cena Aberta em explorar as possibilidades oferecidas pela arquitetura experimental do Waldemar Henrique, distinguindo-o, nesse aspecto, de outros grupos locais.

Outro tento cabe à montagem do espetáculo, que soube utilizar muito bem o espaço experimental do Waldemar Henrique, coisa muito pouco explorada pelos grupos amadores da terra. A ambientação cênica, lembrando um grande templo em completa decadência, abraça perfeitamente os personagens que transitam, e mostram-se sem disfarces, por toda a extensão do palco, que assim transforma-se na igreja dos renegados. Esse clima religioso é acentuado pela concepção musical do espetáculo (Ibid.).

Em março de 1988, foi realizada a IX Mostra de Teatro Amador, da FESAT, a fim de escolher qual grupo viajaria à Brasília como o representante do Pará no Festival Brasileiro de Teatro Amador (FBTA/88). Genet – O palhaço de Deus foi o espetáculo escolhido entre A casa da viúva Costa (Grupo de Teatro da Escola de Teatro da UFPA), A cidade do ontem (Grupo Força de Expressão) e Cínicas e cênicas (Grupo Gruta). Em 25 de junho daquele mesmo ano, o grupo Cena Aberta realizou uma festa junina e um show de voz e violão com Walter Bandeira e Nego Nelson, na sede da agremiação carnavalesca Quem São Eles?, com o objetivo de angariar fundos para a sua viagem a Brasília, a fim de participarem do Festival, que aconteceu entre 9 e 24 de julho daquele ano. A controversa e polêmica apresentação do grupo, único representante do Pará, aconteceu no dia 12 de julho (CENA, 1988, p. 8).

Como podemos ver, o espetáculo de Barata, a primeira parte de sua famosa Trilogia Queer[4], marcou de forma indelével a cena contemporânea paraense, não apenas por sua experimentação ousada do espaço cênico e dos elementos da linguagem teatral, mas principalmente por seu discurso rebelde sobre a sexualidade e abjeção.

Genet – o palhaço de Deus, muito influenciado pela revolução comportamental dos anos 60 e 70, enfrentou os discursos moralistas e conservadores da sua época que associavam a epidemia da aids aos homossexuais, como resultado de seu estilo de vida "obsceno" e "condenável". Aos poucos, a doença ficou conhecida como o "câncer gay", termo pejorativo e estigmatizante usado pela mídia e pela sociedade no início da década de 1980.

Afastando-se das velhas dicotomias, como normal e patológico, e das velhas avaliações morais, como certo e errado ou bem e mal, a encenação de Barata abraçava a ética da marginalidade ao mostrar a vida e as paixões de sujeitos infames, como michês, bichas, prostitutas e ladrões, sem, contudo, pedir por aceitação ou tolerância, aproximando a homossexualidade da delinquência e da busca pelo sagrado. Por articular estes três temas delicados, Barata construiu um discurso cênico que fugia dos diagnósticos dos compêndios médicos e também do discurso identitário e assimilacionista, tão característico do movimento LGBT de sua época.

Em entrevista para o jornal O Liberal (1988), o professor Dr. Ernani Chaves, amigo e colaborador frequente de Barata, ressaltou o desafio do grupo ao traduzir para o espaço teatral um universo tão complexo como o de Genet, destacando a coragem política de não resumir o desejo e a sexualidade "a uma caixa de preservativos".

Em 2017, trinta anos após a estreia do espetáculo, Chaves me concedeu uma entrevista para minha pesquisa de doutorado e voltou a lembrar que uma das pautas de Barata com Genet – O palhaço de Deus era a luta pela:

Despatologização da sexualidade, em especial da homossexualidade. Uma ideia absolutamente importante no Genet: despatologizar. Quebrar a clássica distinção no campo da sexualidade entre o normal e o patológico do ponto de vista do discurso médico, psiquiátrico, do ponto de vista do discurso religioso. Então, acho que essa é uma ideia fundamental filosófica que permeava o espetáculo (CHAVES, 2017).

Para ele, a encenação era uma resposta crítica à epidemia da aids e aos pânicos morais associados a ela, como o "câncer gay":

Isso é importantíssimo! A década de 1980 é a chegada do HIV no mundo. Era necessário combater. Duas coisas importantes: a Aids como o "câncer gay". Depois, por que os homossexuais são os infectados por esse vírus? Por que ele é um vírus gay? Por causa da promiscuidade. Então, o Genet [espetáculo] é uma resposta a essas questões, entendeu? [...] Nesse sentido, o Genet e eu penso também que o projeto da trilogia e o papel que a sexualidade, que o corpo, que a homossexualidade tem nesses espetáculos tem a ver com uma resistência, uma resposta crítica a esse momento (CHAVES, 2017).

Por fim, podemos interpretar Genet – o palhaço de Deus como uma resposta crítica aos regimes médicos e psiquiátricos que patologizavam e estigmatizavam a homossexualidade. Nos EUA, a Associação Americana de Psiquiatria retirou a homossexualidade da classificação de transtornos mentais em 1973. No Brasil, o Conselho Federal de Medicina deixou de considerar a homossexualidade um transtorno mental ou um desvio sexual em 1985.

No entanto, no âmbito internacional, a CID-9, publicada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e então vigente, ainda incluía a homossexualidade como uma categoria diagnóstica sob o código 302.0, que se referia ao termo "homossexualismo". A Organização Mundial da Saúde só retiraria a homossexualidade da Classificação Internacional de Doenças em 1990, decisão formalizada pela Assembleia Mundial da Saúde em 17 de maio daquele ano, data que se tornou um marco para a comunidade LGBTQPIAN+ na luta contra a discriminação e que, posteriormente, deu origem ao Dia Internacional de Combate à LGBTFobia.

No Brasil, muito embora estes regimes médicos e psiquiátricos já não considerassem oficialmente a homossexualidade como um transtorno, os regimes morais, jurídicos, religiosos e culturais a associavam à obscenidade, a criminalidade, ao pecado e à abjeção, respectivamente. Dessa forma, Genet – o palhaço de Deus também pode ser interpretado como uma resposta crítica aos regimes religiosos e institucionais por implodir os dogmas cristãos, reencenando episódios da liturgia bíblica e fazendo Jesus Cristo dialogar com figuras marginais, como Genet, recolocando o homossexual nesta nova sociedade que estava nascendo.

***

Retomando a parte central da última cena de Genet – O palhaço de Deus: aquele amontoado de corpos que dissolve a individualidade num êxtase coletivo e erótico talvez seja a obra cenográfica mais impactante e poderosa da encenação, pois sua arquitetura efêmera se decompõe e recompõe diante dos nossos olhos e revela corpos indisciplinados, sujos, suados que podem ser, ao mesmo tempo, desejados e repudiados, celebrados e sacrificados. Eles se acumulam uns sobre os outros e se amam num ritual solene de purificação e solidariedade coletiva.

Mais do que simplesmente amontoar corpos nus, essa orgia (que também pode ser lida como um renascimento ou um sacrifico), reúne aquilo que a moral burguesa luta para separar: o sagrado do profano, a santidade do crime, o amor da violência. Assim, a construção poética de Luís Otávio Barata abre espaço para a ambiguidade, o grotesco e sobretudo para a possibilidade de encontrar o sagrado no lugar que há muito tempo foi separado dele: o profano.

Este texto integra uma pesquisa mais ampla, atualmente em desenvolvimento, dedicada a reconstrução e análise da experiência artística e histórica do espetáculo Genet – O Palhaço de Deus, cuja estreia completará quarenta anos em 2027. A investigação, que deverá resultar em livro a ser publicado por ocasião desse aniversário, parte do exame minucioso de um extenso conjunto documental, constituído por matérias jornalísticas, registros audiovisuais, fotografias, entrevistas, depoimentos e documentários.

Nesse sentido, aproveito para compartilhar a notícia de que Luís Otávio Barata será o dramaturgo homenageado no XII Seminário Nacional de Dramaturgia Amazônida, previsto para maio de 2027, sob organização da Profa. Dra. Bene Martins e minha. Amplamente reconhecido pelo seu trabalho como encenador, Luís Otávio Barata também foi autor de seus espetáculos e tinha seu próprio método de trabalho sobre o texto teatral, trazendo importantes contribuições para a dramaturgia paraense.

O evento constitui uma das ações do projeto de pesquisa "Memórias da Dramaturgia Amazônida: construção de acervo dramatúrgico", coordenado pela Profa. Dra. Bene Martins desde 2009, cujo compromisso é reunir, preservar, estudar e difundir a produção dramatúrgica amazônida, antiga e contemporânea.

Outubro de 2026

[1] Professor substituto da Universidade Federal Rural da Amazônia. Ator, dramaturgo e encenador teatral. Autor das peças teatrais "Deus, meu Deus", "Pau a pau" e "Joana de Deus". Autor do livro "Trilogia do Armário".

[2] Como é carinhosamente chamado pelos artistas da cidade.

[3] A fala corresponde a uma passagem de Prece pelo bom uso de Genet, de Jean-Paul Sartre, presente na biografia Saint Genet: ator e mártir (2002) e incorporada à dramaturgia de Genet – O Palhaço de Deus. A transcrição apresentada reproduz o texto tal como enunciado no registro audiovisual consultado, que apresenta pequenas diferenças em relação ao texto publicado por Sartre.

[4] A Trilogia Queer de Luís Otávio Barata é composta pelos espetáculos Genet – O Palhaço de Deus (1987), Posição pela Carne (1989) e Em nome do amor (1990). Em minha tese, compreendo essa trilogia como uma produção que utiliza a sexualidade para discutir questões como religião, política e amor, subvertendo não apenas as convenções de gênero e sexualidade, mas também os códigos tradicionais da linguagem teatral. Para ler mais: NUNES, Kauan Amora. A nau queer: uma genealogia da sexualidade no teatro de Luís Otávio Barata (1980-1990). 2019. Tese (Doutorado em História) – Universidade Federal do Pará, Belém, 2019.

Fontes documentai e referências bibliográficas

A SEXUALIDADE exposta. O Liberal, Belém, 24 nov. 1988, p. 7-8, Arte/Espetáculos, Caderno Dois.

BARATA, Luís Otávio. Genet – o palhaço de Deus. 1987. Cópia datilografada não publicada, cedida por Aníbal Pacha. Acervo pessoal de Kauan Amora.

BASEADA na obra de Jean Genet. O Liberal, Belém, 26 nov. 1988, p. 6, Arte/Espetáculos, Caderno Dois.

CENA Aberta faz festa. O Liberal, Belém, 25 jun. 1988, p. 8, Caderno Dois – Arte/Espetáculos.

CHAVES, Ernani. Entrevista. Realizada por Kauan Amora, em 02/12/2017.

DEBATE no Experimental sobre "Genet". O Liberal, Belém, 31 out. 1987, p. 27.

"GENET" encerra neste domingo sua temporada. O Liberal, Belém, 21 nov. 1987. Cidade.

O PALHAÇO que não fez sorrir. O Liberal, Belém, 19 ago. 1988.

PARA ALIMENTAR A POLÊMICA. O Liberal. Belém, 19 de nov. de 1988, Caderno Dois, p. 8.

SARTRE, Jean-Paul. Saint Genet: ator e mártir. Tradução de Lucy Magalhães. Petrópolis, RJ: Vozes, 2002.

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